terça-feira, 3 de setembro de 2013

OS EVANGELHOS SINÓTICOS


1  INTRODUÇÃO

Os Evangelhos apresentam a narrativa dos principais fatos da vida e das palavras de Jesus, indo do seu nascimento até a sua ascensão aos céus. Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas “apresentam grande semelhança na narração dos fatos” (MICHAELIS, 2009), por isso são chamados de sinóticos.

A palavra sinótico deriva do grego, “syn” (junto) e “οψις” (opsis = ver). Significa que as informações colhidas pelos escritores possam ter sido de uma mesma fonte.

Este trabalho pretende apresentar o estudo dos Evangelhos Sinóticos como paralelos e a questão da fonte da qual se derivaram.


2  AS SEMELHANÇAS NOS EVANGELHOS SINÓTICOS

Os Evangelhos Sinóticos foram escritos para apresentar a vida e o ministério de Jesus, de forma sintética, resumida, sem a pretensão de se criar uma bibliografia ou apresentação de sua personalidade. 

Por apresentarem particularidades, mesmo que as narrativas tenham seguido de certa forma numa mesma direção, esses evangelhos mostram que foram escritos para contextos diferentes e devem ser examinados de forma paralela. Teologicamente podemos dizer que os escritores tinham objetivos e grupos determinados para cada um dos conteúdos apresentados.

Braga (2010) explica melhor essa questão dizendo que,

“Podemos perceber que, o propósito de cada evangelho era determinado pelas peculiaridades e dificuldades de cada grupo a que se dirigia cada um deles. Os primeiros evangelhos podem ser dispostos em colunas paralelas para facilitar o estudo comparativo do material que cada livro contém; este tipo de apresentação é conhecida como “sinopse”, pois permite analisar o conteúdo dos Evangelhos como um conjunto, como um todo, por esta razão, os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são conhecidos como “sinóticos”, pois incluem relatos parecidos que podem ser estudados de forma paralela.” (BRAGA, 2010).

Assim sendo, é indubitavelmente comprovada a inspiração, já que o estudo paralelo é perfeitamente possível, mesmo que com finalidade diversificada.

Diversos estudiosos tentaram colocar os Evangelhos em ordem cronológica, mas por não se conseguir chegar às datas que foram escritos precisamente, decidiu-se por começar com Mateus, que foi apóstolo e certamente vivenciou grande parte do que relatou, seguido de Marcos e Lucas, que foram discípulos dos apóstolos.


3  FONTES DE ONDE SE DERIVARAM OS EVANGELHOS SINÓTICOS

Diante da semelhança de conteúdo e estilo, surgiram suposições relacionadas à fonte na qual os escritores teriam baseado o relato dos acontecimentos.

As suposições e teorias em torno desse tema deram origem ao “problema sinótico”. Uma das teorias diz que houve um documento “Q”, de quelle, que em alemão significa fonte. Os três evangelistas teriam usado essa fonte em comum.

Se passar-se a crer dessa forma, os textos serão reduzidos a belos trabalhos literários, negando-se sumariamente a sua inspiração divina, com propósitos definidos.

O site GotQuestions.org (2010) contra argumenta a teoria do documento “Q”:

“Há evidência para um documento “Q”? Não, não há. Nenhuma porção ou fragmento de um documento “Q” jamais foi encontrado. Nenhum dos fundadores da igreja primitiva jamais mencionou uma “fonte” para o Evangelho em seus manuscritos. “Q” é a invenção de “estudiosos” liberais que negam a inspiração da Bíblia. Eles acreditam que a Bíblia é apenas um trabalho literário, sujeita ao mesmo tipo de crítica que outros trabalhos literários. Novamente, devemos dizer, que não há qualquer evidência para o documento “Q” – biblicamente, teologicamente, ou historicamente.” (2010)

Existe a possibilidade, contudo, de um dos evangelhos ter sido escrito primeiro e os outros dois terem se baseado nas seqüências dos acontecimentos. Crê-se que Marcos foi o primeiro a ser escrito, mas não há provas desse fato. Trata-se de suposição na tentativa de se esclarecer a questão.

3  CONCLUSÃO


Alguns teólogos, que se apegam à teoria do documento “Q” e ensinam essa teoria como uma verdade e estão levando vários cristãos a crerem nisso. Prova disso é o número crescente de artigos na internet sobre o tema.

Para esses que procuram humanizar as coisas que são espirituais, pode-se deixar uma pergunta: “Deus não é capaz de inspirar e fazer com que três pessoas diferentes, com estilos e objetivos ainda que vários, escrevam obras que andem paralelamente no seu conteúdo?”

O apóstolo Paulo consegue descrever essa situação dizendo “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (BÍBLIA,  N.T. 1 Coríntios 2:14).

Certamente é aí que repousa a beleza de Deus, na sua sapiência e demonstração existencial do que é divino, muito além do entendimento humano. Ele não deixou claro para o cristão e leitor da Bíblia, se houve ou não uma fonte determinada.

Sendo esta mais uma questão que será revelada segundo a sua determinação e vontade, fica, portanto, para os estudiosos da Palavra de Deus a questão de se crer ou não na inspiração divina.


4  REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Português. Bíblia Online. Tradução: Almeida Corrigida e Revisada Fiel. Disponível em http://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/2 Acesso em: 6 jun. 10

BRAGA, João Carlos Delgado. O que são Evangelhos Sinóticos? Disponível em http://www.atosdois.com.br/print2.php?codigo=1343 Acesso em: 6 jun. 10


GotQuestions.org. O que é problema sinótico? Disponível em http://www.gotquestions.org/portugues/problema-sinotico.html Acesso em: 6 jun. 10


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