CONCEPÇÕES DE DEUS NA IDADE MÉDIA E NO
ILUMINISMO
RESUMO
As concepções de Deus na Idade Média e no Iluminismo ilustram bem a
trajetória histórica dos pensamentos acerca dos propósitos da fé e da razão. O
impacto desses pensamentos no seu contexto histórico mostra quanto a Filosofia
e a Teologia andam juntas e a sua influência na sociedade e no comportamento
humano.
Palavras chave: Deus; Idade Média; Iluminismo.
1 INTRODUÇÃO
O pensamento reflexivo sobre a existência de Deus e o papel que este
exerce na vida da humanidade marcou épocas, fazendo com que a Teologia e a Filosofia
quase que se fundissem, ou que fossem totalmente apartadas, tendo em vista o que
se era discutido e ponderado.
O objetivo deste trabalho é mostrar algumas das concepções de Deus na
Idade Média e no Iluminismo.
2 DEUS NA IDADE MÉDIA
Na Idade Média, a religião influenciava toda a sociedade, portanto a
discussão sobre a existência de Deus era irrelevante, já que se acreditava que
tudo o que acontecia era vontade divina.
Era uma sociedade teocêntrica, sendo Deus a medida de todas as coisas. Era
a vontade divina quem organizava a sociedade e a dividia em clero, nobreza e
servos e aqueles que se mostravam contrários a essa organização ou queriam
inovar eram chamados de hereges. A Igreja Católica tinha o domínio e ditava as
regras sociais, políticas, de comportamento e de pensamento. O mais importante
era salvar a alma, enquanto que os prazeres carnais não tinham valor.
2.1 SANTO
AGOSTINHO E A EXISTÊNCIA DE DEUS
Um dos famosos pensadores da Filosofia Patrística (do século I ao VII),
ou dos padres da Igreja, e que buscava aliar a fé à razão, era Santo Agostinho.
Santo Agostinho acreditava que a Filosofia e a Teologia andavam juntas, sendo a
razão ligada à verdade revelada por Deus.
Reale e Antisere (apud URBANESKI, 2008, p. 27) apresentam as provas da
existência de Deus, na visão de Santo Agostinho, sendo elas: a ordenada
variedade e mutável beleza de todos os objetos feitos por Deus; a confissão da
raça humana de que Deus é o criador do mundo e Deus é o primeiro e supremo Bem.
Ainda segundo Urbaneski (2008, p.26), Santo Agostinho apontava que “Deus
é o Bem Supremo e este, sendo bondade, não cria o mal”.
2.2 SANTO TOMÁS
DE AQUINO E A EXISTÊNCIA DE DEUS
Outro famoso pensador, que viveu na época da Filosofia Escolástica (entre
os séculos VIII e XIV), foi Santo Tomás de Aquino.
“Para Tomás, Deus é um ato, é o criador do Universo, é imóvel, eterno,
uno e bom” (Ibid., p. 36).
Santo Tomás de Aquino defende a existência de Deus, em linhas gerais,
como sendo ele o início dos movimentos, imóvel, a causa motora do universo; a
razão dos efeitos terem causa; a possibilidade da existência de outros seres; a bondade e a
sabedoria em si e o governador do mundo.
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DEUS E O ILUMINISMO
No século XVIII, com a Revolução Industrial, novas idéias filosóficas
surgiram em decorrência da mudança de mentalidade com relação a Deus, à
religião e a ligação da fé com a razão.
O iluminismo surgiu para entender e organizar o mundo à luz da razão.
Nesse novo pensamento, Deus é excluído e o homem passa a ser o dono do seu
próprio destino.
A idéia de Deus é que este é o criador do mundo e do homem e que este foi
colocado no mundo para traçar seu próprio destino a partir de suas próprias
escolhas. Dessa forma, segundo Andery et al. (apud URBANESKI, 2008, p. 72) “O
Deus todo poderoso passa a ser substituído pelo homem todo poderoso [...]”.
Não obstante, a existência de Deus não consegue ser negada, como explica
Schilling (2008) no texto abaixo.
“A moderna contestação à existência de um
Deus moral, hábil, capaz de influenciar os destinos humanos e responsável mor
pelo bom andamento das coisas do universo, é obra do Iluminismo europeu do
século XVIII. Se bem que a maioria dos filósofos daquela época, como Diderot,
Voltaire e Kant (*), se refugiassem no Deísmo - a crença numa poderosa força
racional, num primeiro motor que deu impulso ao cosmo e à vida, não indo além
disso -, não chegaram ao extremo de abraçar o ateísmo. Para eles Deus fundia-se
com a Razão.”
3 CONCLUSÃO
Tanto na Idade Média, que fazia uso de Deus em absolutamente toda a
sociedade, como na tentativa quase que extremista do Iluminismo, de excluir
Deus das relações humanas, o assunto é a questão da concepção de Deus.
A compreensão de Deus tem sempre inquietado o ser humano. A ligação entre
a razão e a fé parecem não poder ser desconectadas, tratadas isoladamente e apontam
para a relação entre o criador e a criação. As idéias e pensamentos filosóficos
e teológicos sobre o assunto, servem, portanto, para nos fazer ponderar sobre a
nossa própria concepção de Deus.
4 REFERÊNCIAS
SCHILLING, Voltaire. As Batalhas
Contra Deus (Parte II). História – Cultura e Pensamento. Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2008/01/18/000.htm.
Acesso em: 10 nov. 2008.
URBANESKI,
Vilmar. Filosofia da Religião.
Indaial: ASSELVI, 2008.