RESUMO
O estudo sobre o cenário bíblico, de uma forma geral, constitui-se na Cultura Bíblica. Tal conhecimento visa munir o exegeta bíblico, cuja função é se dedicar à Exegese Bíblica, que por sua vez, busca estudar em profundidade um texto das Sagradas Escrituras, baseado em dados concretos, para que a interpretação e comentários que este faça de cada porção bíblica atinja o máximo de veracidade e seja útil para ciências como a Teologia e a Hermenêutica.
Palavras chave: Cultura Bíblica; Exegese Bíblica; Prática.
1 INTRODUÇÃO
A Cultura Bíblica e a Exegese Bíblica andam de mãos dadas. Enquanto a primeira busca descrever o mundo bíblico em vários âmbitos físicos e históricos, a Exegese Bíblica utiliza esses dados para prover interpretação dentro do contexto de cada época histórica que os textos bíblicos foram escritos.
É importante conhecer como era o mundo na época que o escritor registrou o texto divinamente inspirado, para poder entender a sua intenção, o seu propósito.
Este trabalho destina-se a discorrer como o estudo e conhecimento da Cultura Bíblica estão intimamente ligados à Exegese Bíblica.
2 CULTURA BÍBLICA
Por Cultura Bíblica entende-se todo o contexto que envolvia o mundo bíblico no momento que os textos foram escritos. As condições sociais, econômicas, culturais, intelectuais, geográficas, os usos e costumes, fatores étnicos, práticas religiosas e outras elementos que possam contribuir para o conhecimento do cenário que envolvia o escritor, estão inseridos nessa temática.
A Cultura Bíblica busca dados históricos, não só para explicar, mas também para confirmar a interpretação do texto bíblico.
Segundo Contu (2009, p.83): “Um dos grandes desafios do exegeta tem sido enfrentar a oposição dos céticos que questionam historicidade dos eventos do antigo testamento.” Ao utilizar os dados fornecidos pelos estudiosos da Cultura Bíblica, o exegeta precisa certificar-se da fonte desses dados, se fidedignas. Assim sendo, o estudioso da Cultura Bíblica precisará tomar extremo cuidado ao se fiar nos dados fornecidos pelas várias ciências como, por exemplo, a arqueologia, que tem feito prodigiosos progressos na descoberta e prova da veracidade dos textos bíblicos, a geografia, que baseado nos relevos e cenários atuais pode prever como era o cenário físico na época bíblica e assim por diante.
3 EXEGESE BÍBLICA
Entende-se por Exegese Bíblica a “[...] análise detalhada de um texto sob vários ângulos (o textual, o literário, o dos motivos/temas, o do processo de composição), a fim de extrair dele sua mensagem.” (SILVA, 2007). É considerada uma ciência uma vez que se utiliza de métodos para atingir o fim de interpretação a que se propõe.
Para Bentho (2008),
“O exegeta além de nutrir-se de todos os progressos da investigação lingüística, literária e hermenêutica, bebe na fonte dos gêneros literários acrescentando os saberes da retórica, da narrativa, e do estruturalismo, como ciências auxiliares ao texto bíblico. Se não bastassem esses conhecimentos, vale-se ainda das ciências humanas em suas múltiplas abordagens. Portanto, a ciência exegética está em constante construção adotando o que cada período traz de contribuição à exegese bíblica.” (BENTHO, 2008).
Tendo tantos caminhos a trilhar para chegar à interpretação precisa, ou perto disso, de um texto bíblico, o exegeta se vale em alto grau da Cultura Bíblica, como um todo, visando poder interpretar a real intenção do autor naquele determinado texto.
A Exegese como ciência que é, está subdividida em várias áreas, como a Exegese Científica, Acadêmica e Pastoral. A Exegese Científica busca limitar os vocábulos dentro do contexto, para assim, evitar reinterpretações. Já a Exegese Acadêmica visa estabelecer uma base racional na análise do texto e finalmente a Pastoral, que exerce o lado prático da Exegese, tendo como alvo a aplicação do texto na vida da comunidade.
4 PRÁTICA
Tanto a Cultura Bíblica como a Exegese Bíblica são matérias teóricas. Contudo, toda teoria requer uma prática para que esta se concretize.
Tanto a Exegese Pastoral, já comentada, como a Teologia Prática são exemplos de como essas teorias são trazidas à vida, à prática comum. A Teologia Prática tem o objetivo de ensinar e colocar em uso comum o que a Palavra de Deus diz. Por essa razão, se vale da teoria fornecida pela Exegese para aprender os princípios bíblicos e aplicá-los à comunidade.
A utilização de textos passados pelo crivo de um exegeta dá a base para a Hermenêutica. De acordo com Silva (2007), “exegese é diferente de hermenêutica – Esta trata dos princípios da interpretação, aquela da prática da interpretação, dos passos concretos dados no trabalho interpretativo.” A Hermenêutica, portanto, interpreta o que descobriu a Exegese. É a prática da letra, do comentário do exegeta, abrindo espaço para a atualização das Escrituras, podendo contar com a incrível atuação do Espírito Santo, que exprime na prática cotidiana, o que inspirou nos escritores originais. Exemplo disso, é a conversão do indivíduo que ouve a explicação da Palavra escrita e vive uma profunda transformação de vida.
5 CONCLUSÃO
Conclui-se que a Cultura Bíblica serve de base para a Exegese Bíblica e ambas se completam no estudo das Escrituras Sagradas.
O dinamismo e utilidade dessas duas fontes são provados na prática, quando da explanação da Palavra de Deus, escrita, mas vivificada através dos comentários, explicações, colocações históricas e que convence do pecado, leva ao arrependimento e a conversão das pessoas que a ouvem.
6 REFERÊNCIAS
BENTHO, E. C. Ensaio sobre a Exegese & Exposição Bíblica. Disponível em http://teologiaegraca.blogspot.com/2008/01/ensaio-sobre-exegese-exposio-bblica.html Acesso em 21 nov. 09.
CONTU, L. Caderno de Estudos. Cultura Bíblica. Indaial: ASSELVI, 2009.
SILVA, P. S. Exegese Bíblica – Sua Importância e Prática. Disponível em: http://www.seminariosimonton.com/textos/semanateologica2007-exegese.pdfA cesso em 21 nov. 09.