sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CONCEPÇÕES DE DEUS NA IDADE MÉDIA E NO ILUMINISMO


RESUMO

As concepções de Deus na Idade Média e no Iluminismo ilustram bem a trajetória histórica dos pensamentos acerca dos propósitos da fé e da razão. O impacto desses pensamentos no seu contexto histórico mostra quanto a Filosofia e a Teologia andam juntas e a sua influência na sociedade e no comportamento humano.

Palavras chave: Deus; Idade Média; Iluminismo.


1 INTRODUÇÃO

O pensamento reflexivo sobre a existência de Deus e o papel que este exerce na vida da humanidade marcou épocas, fazendo com que a Teologia e a Filosofia quase que se fundissem, ou que fossem totalmente apartadas, tendo em vista o que se era discutido e ponderado.

O objetivo deste trabalho é mostrar algumas das concepções de Deus na Idade Média e no Iluminismo.  


2 DEUS NA IDADE MÉDIA

Na Idade Média, a religião influenciava toda a sociedade, portanto a discussão sobre a existência de Deus era irrelevante, já que se acreditava que tudo o que acontecia era vontade divina.

Era uma sociedade teocêntrica, sendo Deus a medida de todas as coisas. Era a vontade divina quem organizava a sociedade e a dividia em clero, nobreza e servos e aqueles que se mostravam contrários a essa organização ou queriam inovar eram chamados de hereges. A Igreja Católica tinha o domínio e ditava as regras sociais, políticas, de comportamento e de pensamento. O mais importante era salvar a alma, enquanto que os prazeres carnais não tinham valor. 


2.1 SANTO AGOSTINHO E A EXISTÊNCIA DE DEUS

Um dos famosos pensadores da Filosofia Patrística (do século I ao VII), ou dos padres da Igreja, e que buscava aliar a fé à razão, era Santo Agostinho. Santo Agostinho acreditava que a Filosofia e a Teologia andavam juntas, sendo a razão ligada à verdade revelada por Deus.

Reale e Antisere (apud URBANESKI, 2008, p. 27) apresentam as provas da existência de Deus, na visão de Santo Agostinho, sendo elas: a ordenada variedade e mutável beleza de todos os objetos feitos por Deus; a confissão da raça humana de que Deus é o criador do mundo e Deus é o primeiro e supremo Bem.

Ainda segundo Urbaneski (2008, p.26), Santo Agostinho apontava que “Deus é o Bem Supremo e este, sendo bondade, não cria o mal”.


2.2 SANTO TOMÁS DE AQUINO E A EXISTÊNCIA DE DEUS

Outro famoso pensador, que viveu na época da Filosofia Escolástica (entre os séculos VIII e XIV), foi Santo Tomás de Aquino. 

“Para Tomás, Deus é um ato, é o criador do Universo, é imóvel, eterno, uno e bom” (Ibid., p. 36).

Santo Tomás de Aquino defende a existência de Deus, em linhas gerais, como sendo ele o início dos movimentos, imóvel, a causa motora do universo; a razão dos efeitos terem causa; a possibilidade da  existência de outros seres; a bondade e a sabedoria em si e o governador do mundo.


3  DEUS E O ILUMINISMO

No século XVIII, com a Revolução Industrial, novas idéias filosóficas surgiram em decorrência da mudança de mentalidade com relação a Deus, à religião e a ligação da fé com a razão.

O iluminismo surgiu para entender e organizar o mundo à luz da razão. Nesse novo pensamento, Deus é excluído e o homem passa a ser o dono do seu próprio destino.

A idéia de Deus é que este é o criador do mundo e do homem e que este foi colocado no mundo para traçar seu próprio destino a partir de suas próprias escolhas. Dessa forma, segundo Andery et al. (apud URBANESKI, 2008, p. 72) “O Deus todo poderoso passa a ser substituído pelo homem todo poderoso [...]”.

Não obstante, a existência de Deus não consegue ser negada, como explica Schilling (2008) no texto abaixo.

“A moderna contestação à existência de um Deus moral, hábil, capaz de influenciar os destinos humanos e responsável mor pelo bom andamento das coisas do universo, é obra do Iluminismo europeu do século XVIII. Se bem que a maioria dos filósofos daquela época, como Diderot, Voltaire e Kant (*), se refugiassem no Deísmo - a crença numa poderosa força racional, num primeiro motor que deu impulso ao cosmo e à vida, não indo além disso -, não chegaram ao extremo de abraçar o ateísmo. Para eles Deus fundia-se com a Razão.”

 
3 CONCLUSÃO

Tanto na Idade Média, que fazia uso de Deus em absolutamente toda a sociedade, como na tentativa quase que extremista do Iluminismo, de excluir Deus das relações humanas, o assunto é a questão da concepção de Deus.

A compreensão de Deus tem sempre inquietado o ser humano. A ligação entre a razão e a fé parecem não poder ser desconectadas, tratadas isoladamente e apontam para a relação entre o criador e a criação. As idéias e pensamentos filosóficos e teológicos sobre o assunto, servem, portanto, para nos fazer ponderar sobre a nossa própria concepção de Deus.


4 REFERÊNCIAS

SCHILLING, Voltaire. As Batalhas Contra Deus (Parte II). História – Cultura e Pensamento. Disponível em: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2008/01/18/000.htm. Acesso em: 10 nov. 2008.

URBANESKI, Vilmar. Filosofia da Religião. Indaial: ASSELVI, 2008.





[1]  URBANESKI, Vilmar. Filosofia da Religião. Indaial: ASSELVI, 2008. p. 19-21

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